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DRE (Demonstração do Resultado do Exercício): o que é, para que serve e como fazer

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é um instrumento que expõe de maneira detalhada as operações financeiras realizadas por uma empresa.

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A DRE, sigla para Demonstração do Resultado do Exercício, é o relatório contábil que mostra se a sua empresa teve lucro ou prejuízo em um determinado período. Ela organiza, de forma clara, todas as receitas, custos e despesas do negócio, e é obrigatória para todas as empresas, exceto o MEI.

Neste guia, você vai entender o que é a DRE, para que ela serve, como ela é estruturada, o que muda com a reforma tributária a partir de 2026 e como montar a sua na prática.

O que é a DRE?

A DRE é uma ferramenta contábil que expõe, de maneira detalhada, as operações financeiras realizadas por uma empresa durante um período, normalmente um ano. Em outras palavras, é o relatório que revela se o resultado do exercício foi de lucro ou de prejuízo líquido.

Trata-se de um documento legal, previsto na Lei nº 11.638/07 e regulamentado pela NBC TG 26 (R5), norma brasileira que estabelece os requisitos mínimos de apresentação das demonstrações contábeis. Por isso, a DRE não é apenas um relatório de gestão: é uma exigência societária para a maioria das empresas.

Na contabilidade online, a DRE ganhou ainda mais relevância. Ela é uma das bases da gestão financeira e permite acompanhar a evolução do resultado com a frequência que o negócio precisar, seja mensal, trimestral ou anual.

Para que serve a DRE?

A DRE tem o propósito de fornecer uma visão clara do desempenho financeiro de uma empresa durante um período específico. Por isso, é usada por diferentes públicos: donos de negócio, investidores, sócios, gestores e também pelo contador, que precisa dela para calcular tributos como IRPJ e CSLL.

Através da análise da DRE é possível identificar se a empresa está gerando lucro ou prejuízo, quais são as principais fontes de receita e como os custos e despesas estão distribuídos. Ela também é uma peça obrigatória na composição das demonstrações financeiras de qualquer empresa, junto com o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Fluxo de Caixa.

Estrutura e principais contas da DRE

A DRE organiza as informações financeiras em blocos, começando pela receita e terminando no resultado líquido. Na prática, o relatório costuma seguir esta ordem:

  • Receita Bruta de Vendas e/ou Serviços
  • Deduções da Receita Bruta (impostos sobre vendas, devoluções, descontos)
  • Receita Líquida de Vendas e/ou Serviços
  • Custo dos Produtos Vendidos e/ou Serviços Prestados (CPV, CMV ou CSP)
  • Lucro Bruto
  • Despesas Operacionais (vendas, administrativas e financeiras)
  • Resultado Operacional
  • Resultado Antes do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
  • Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social
  • Resultado Líquido do Exercício

Receitas

As receitas são os valores que a empresa recebe com suas atividades comerciais, como venda de produtos ou prestação de serviços. Exemplos comuns incluem vendas de produtos, prestação de serviços, juros, dividendos e royalties. Na DRE, a receita aparece primeiro como Receita Bruta e depois como Receita Líquida, já com os descontos e impostos sobre vendas deduzidos.

Custos

Os custos são os gastos ligados diretamente à geração das receitas. Para empresas que vendem produtos, isso inclui matéria-prima e mão de obra de produção. Para prestadoras de serviço, os custos costumam envolver salários das equipes que executam o serviço e equipamentos usados nesse processo. Os principais tipos são CPV (Custo dos Produtos Vendidos), CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) e CSP (Custo dos Serviços Prestados).

Despesas

Despesas são gastos que sustentam a operação da empresa, mas não estão ligados diretamente à produção ou à entrega do serviço. Exemplos comuns são aluguel, água e energia, internet, telefone e manutenção. Elas se dividem em Despesas Operacionais (para manter a empresa funcionando) e Despesas Financeiras (custos para manter o financiamento da empresa, como juros de empréstimos). Analisar as despesas com cuidado é o caminho mais direto para encontrar onde a empresa pode economizar e aumentar o lucro líquido, veja a diferença entre custos, despesas e perdas.

Resultados

O Resultado Operacional é o que resta depois de descontar as despesas operacionais da receita líquida, e mostra como a empresa está se saindo nas suas operações principais. O Resultado Antes do IR e da CSLL é o valor que sobra antes do pagamento desses dois tributos. Por fim, o Resultado Líquido do Exercício, o lucro ou prejuízo líquido, é o que sobra depois de todas as despesas e impostos pagos, e é o número mais observado por sócios, investidores e credores.

A DRE é obrigatória? Quem precisa entregar

Sim. A DRE é obrigatória para todas as empresas, exceto o MEI. A exigência está na Lei nº 11.638/07 e vale independente do regime tributário, Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

No Brasil, o período de apuração da DRE vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. No último dia do ano, as contas usadas na demonstração são zeradas e o saldo, lucro ou prejuízo, é transferido para o Balanço Patrimonial. No início do ano seguinte, as contas da DRE recomeçam do zero e acumulam valores até a próxima apuração.

Benefícios da DRE para pequenas empresas

Para pequenas empresas, a DRE costuma ser subestimada como “só uma obrigação legal”. Na prática, ela entrega benefícios diretos para o dia a dia da gestão:

  • Visão geral do negócio: permite entender a situação financeira real da empresa, sem depender de percepção ou saldo de conta bancária.
  • Prevenção de falhas: ajuda a identificar rapidamente problemas de custo ou despesa antes que afetem o caixa.
  • Decisões mais seguras: oferece dados concretos para embasar decisões estratégicas, como reajuste de preço ou corte de custo.
  • Identificação de fraquezas: mostra quais áreas do negócio precisam de ajuste.
  • Avaliação de gestão: serve como parâmetro para avaliar o desempenho de quem administra a empresa em relação aos resultados entregues.

Como a reforma tributária (CBS e IBS) muda a DRE a partir de 2026

A reforma tributária muda a estrutura da DRE de forma direta. Hoje, a demonstração tem várias linhas de dedução da receita bruta para tributos sobre o consumo, como PIS, COFINS, ICMS, ISS e, em alguns casos, IPI. Com a reforma, esses tributos são substituídos por apenas dois: CBS (federal) e IBS (estadual e municipal).

Isso simplifica a estrutura da DRE, que passa a ter uma linha de dedução mais direta em vez de várias, mas exige atenção: as alíquotas efetivas variam por setor, e alguns segmentos vão pagar mais, outros menos, do que pagavam no modelo antigo.

2026 é o ano de fase de testes da reforma. As empresas já precisam registrar as informações fiscais de CBS e IBS, mas a cobrança efetiva desses tributos só começa em 2027. Outra mudança relevante é que CBS e IBS permitem crédito sobre praticamente todas as despesas operacionais, como aluguel, energia, internet e serviços terceirizados, o que é mais amplo do que o crédito de PIS/COFINS não cumulativo. Na prática, isso pode mudar a leitura da margem de contribuição da empresa nos próximos anos, por isso vale acompanhar de perto com o seu contador como a transição vai impactar o resultado do seu negócio.

Análise vertical e margem de contribuição: a DRE serve só para mostrar lucro?

Embora a DRE mostre se a empresa teve lucro ou prejuízo, ela oferece muito mais informação do que esse número final.

Um exemplo é a análise vertical, que mostra quanto cada linha da DRE representa em relação à receita líquida. Isso ajuda a entender o peso real de cada custo ou despesa no resultado.

Um dado importante dessa análise é a margem de contribuição, que é a receita menos os custos necessários para gerá-la. Esse valor define se o que sobra é suficiente para cobrir as despesas fixas da empresa e ainda gerar lucro.

A DRE também permite comparar um período com outro, o que facilita acompanhar a evolução do negócio ano a ano. Combinada com o orçamento planejado, ela ajuda a verificar se receitas e gastos estão dentro do esperado.

Como fazer sua DRE na prática

Para montar a DRE da sua empresa, siga esta ordem:

  1. Levante a Receita Bruta do período, somando todas as vendas ou serviços prestados.
  2. Aplique as deduções (impostos sobre vendas, devoluções, descontos comerciais) para chegar à Receita Líquida.
  3. Subtraia o Custo dos Produtos Vendidos ou dos Serviços Prestados para encontrar o Lucro Bruto.
  4. Subtraia as Despesas Operacionais (vendas, administrativas, financeiras) para chegar ao Resultado Operacional.
  5. Calcule a Provisão de IR e CSLL sobre o resultado antes desses tributos.
  6. Chegue ao Resultado Líquido do Exercício, o número final de lucro ou prejuízo do período.

Fazer esse processo manualmente é possível, mas a maioria dos erros de DRE vem de lançamento incorreto de custo versus despesa, ou de esquecer alguma dedução da receita bruta. Por isso, empresas que usam contabilidade online costumam ter a DRE gerada automaticamente a partir dos lançamentos do período, o que reduz erro e economiza tempo. Um contador online pode, inclusive, gerar esse relatório em tempo real, facilitando ajustes rápidos no plano de negócios.

Perguntas frequentes sobre a DRE

O que é a DRE?

A DRE, Demonstração do Resultado do Exercício, é o relatório contábil que mostra se uma empresa teve lucro ou prejuízo em um período, geralmente um ano, detalhando receitas, custos e despesas.

Para que serve a DRE?

A DRE serve para mostrar o desempenho financeiro da empresa, identificar as principais fontes de receita, entender a distribuição de custos e despesas, e apoiar decisões estratégicas de investidores, sócios e gestores.

A DRE é obrigatória?

Sim, a DRE é obrigatória para todas as empresas, exceto o MEI, conforme a Lei nº 11.638/07 e a NBC TG 26 (R5).

Qual é o período de apuração da DRE no Brasil?

O período vai de 1º de janeiro a 31 de dezembro. No fim do ano as contas são zeradas e o saldo é transferido para o Balanço Patrimonial.

Qual é a diferença entre custo e despesa na DRE?

Custo é o gasto ligado diretamente à geração da receita, como matéria-prima ou mão de obra de produção. Despesa é o gasto que sustenta a operação, mas não gera a receita diretamente, como aluguel e energia.

Como a reforma tributária muda a DRE?

A partir de 2026, PIS, COFINS, ICMS, ISS e IPI são substituídos por CBS e IBS. A fase de testes começa em 2026 e a cobrança efetiva em 2027, com regras de crédito mais amplas sobre despesas operacionais.

O que é margem de contribuição?

É a receita menos os custos necessários para gerá-la. Mostra se o que sobra é suficiente para cobrir despesas fixas e ainda gerar lucro.

Como fazer a DRE da minha empresa?

Levante a receita bruta, aplique deduções para chegar à receita líquida, subtraia custos para o lucro bruto, subtraia despesas operacionais para o resultado operacional, calcule IR e CSLL e chegue ao resultado líquido.

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Lívia Barroso

COO e contadora responsável técnica da Contajá, contabilidade online para micro e pequenas empresas. Graduada em Ciências Contábeis pela UFV e com MBA em Gestão de Pessoas com Ênfase em Liderança Organizacional pela USP/Esalq, lidera as operações da empresa aliando visão estratégica, excelência técnica e foco total na experiência do cliente.