O código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) identifica cada produto. Assim, fica garantido o cumprimento das regras do bloco econômico e a correta aplicação de tarifas. Consultar NCM é muito importante para quem atua no comércio internacional. Especialmente nos países do Mercosul (Mercado Comum do Sul). Mas, o que é o código NCM e por que ele é tão necessário nas operações de importação e exportação?
Dessa forma, ao utilizar o NCM correto, a sua empresa evita problemas aduaneiros, reduz riscos de multas e facilita o processo de entrada ou saída dos produtos.
Mas, como fazer uma consulta NCM de forma rápida e segura? Continue lendo para saber mais.
O que é NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul)?
A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é um sistema de códigos numéricos, composto por oito dígitos, adotado pelos países membros do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, desde 1995. Venezuela e Bolívia (esta última em processo de adesão) também a utilizam.
A NCM serve para identificar e categorizar as mercadorias comercializadas entre esses países e também com o resto do mundo. Ela é fundamental para determinar as alíquotas de impostos incidentes nas operações de comércio exterior e em diversas transações internas, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A NCM é baseada no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), mantido pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA). O SH é um método internacional de classificação de produtos que utiliza seis dígitos. Os dois dígitos adicionais da NCM são específicos do Mercosul, permitindo uma maior particularização das mercadorias conforme as necessidades do bloco econômico.
Você sabia? Uma classificação NCM incorreta pode levar a sérios problemas fiscais, incluindo multas pesadas e até mesmo a retenção de mercadorias na alfândega. Por isso, a atenção a esse detalhe é crucial!
Em resumo, a NCM é a “identidade” universal de um produto dentro do contexto fiscal e comercial do Mercosul.
O que é NCM SH?
Consultar NCM SH envolve conhecer a Nomenclatura Comum do Mercosul – Sistema Harmonizado. Essa estrutura de classificação cuida de organizar e identificar produtos no comércio internacional. Mas, como esse sistema funciona na prática?
Com base em detalhes específicos de cada mercadoria. O NCM SH detalha e categoriza produtos, garantindo que estejam alinhados com as normas do Mercosul.
Além disso, ao consultar o NCM SH no portal da Receita Federal. É possível acessar tabelas onde cada item é codificado de forma única. Facilitando assim, a sua identificação e venda.
O que é o código NCM?
O código NCM é composto por oito dígitos, e cada um desses números representa uma característica específica da mercadoria.
Além disso, ao consultar NCM, você encontrará uma série de números que identificam o produto de forma única.
Assim, esse sistema é baseado no Sistema Harmonizado (SH), desenvolvido pela Organização Mundial das Alfândegas. E ele é utilizado no mundo todo para a classificação de mercadorias.
Mas, você pode se perguntar, onde esse código deve estar presente? A resposta é em documentos fiscais, como:
- notas fiscais
- guias de importação e exportação.
Para que serve a Tabela NCM?
Você pode estar se perguntando: “Ok, entendi o que é, mas qual a real utilidade da Tabela NCM no dia a dia da minha empresa?”. A resposta é simples: ela é onipresente e vital para uma série de processos. Vejamos os principais:
- Determinação de Tributos: É a principal função. A NCM define as alíquotas de impostos como:
- Imposto de Importação (II)
- Imposto de Exportação (IE)
- Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
- Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), incluindo a Substituição Tributária (ICMS-ST) e o Diferencial de Alíquota (DIFAL).
- Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na importação.
- Emissão de Documentos Fiscais: A NCM é campo obrigatório na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e) e outros documentos fiscais. Sem ela, a nota não é validada.
- Controle Aduaneiro: Facilita a fiscalização e o controle das mercadorias que entram e saem do país.
- Estatísticas de Comércio Exterior: Os dados coletados a partir das NCMs são usados para gerar estatísticas precisas sobre importações e exportações, auxiliando na formulação de políticas comerciais.
- Defesa Comercial: É utilizada em investigações de dumping, subsídios e salvaguardas.
- Acordos Internacionais: A NCM é referência em negociações de acordos comerciais e preferências tarifárias.
- Licenciamento de Importação: Para algumas mercadorias, a NCM determina a necessidade de licenças especiais antes do embarque.
Percebe como ela é um pilar fundamental? Uma classificação correta na Tabela NCM garante que sua empresa pague os impostos devidos (nem mais, nem menos), evite penalidades, acelere processos logísticos e contribua para um ambiente de negócios mais transparente. É o tipo de coisa que, quando feita direito, passa despercebida, mas quando errada… ah, aí o alarme soa alto!
Como a Tabela NCM é estruturada?
Entender a estrutura da NCM é o primeiro passo para dominá-la. Como mencionado, ela possui oito dígitos, e cada par ou dígito individual tem um significado específico, derivado do Sistema Harmonizado (SH) e com adições do Mercosul.
| Estrutura da NCM | Dígitos | O que Representa | Exemplo (Café não torrado, não descafeinado) |
|---|---|---|---|
| Capítulo | 2 primeiros | Características gerais do produto | 09 (Café, chá, mate e especiarias) |
| Posição | 4 primeiros | Desdobramento da característica do capítulo | 0901 (Café, mesmo torrado ou descafeinado) |
| Subposição | 6 primeiros | Desdobramento da característica da posição | 0901.11 (Café não torrado, não descafeinado) |
| Item | 7º dígito | Classificação mais específica | 0901.11.10 (Em grão) |
| Subitem | 8º dígito | Detalhamento ainda maior, para fins do Mercosul | 0901.11.10.0 (Este é um exemplo onde o subitem não adiciona diferenciação, mas poderia) |
Portanto, o código completo seria 0901.11.10.
- Dois primeiros dígitos: representa o capítulo, indicando características gerais do produto.
- Terceiro e quarto dígitos: indicam a posição, detalhando ainda mais a categoria da mercadoria dentro do capítulo.
- Quinto e sexto dígitos: correspondem à subposição, oferecendo um nível maior de características do produto.
- Sétimo dígito: refere-se ao item, que classifica o produto em uma categoria própria.
- Oitavo dígito: identifica o subitem, oferecendo uma descrição completa da mercadoria.
Essa estrutura hierárquica permite classificar virtualmente qualquer mercadoria existente. Para navegar nela, é preciso conhecer bem o produto e, muitas vezes, recorrer às Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), que fornecem diretrizes e esclarecimentos cruciais para classificações complexas.
NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é um código de oito dígitos que identifica cada produto comercializado no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ele é obrigatório na nota fiscal de mercadoria, define alíquotas de impostos como IPI, ICMS, PIS, Cofins, Imposto de Importação e, com a reforma tributária, também de IBS, CBS e Imposto Seletivo. Sem o código NCM correto, a Sefaz não autoriza a nota fiscal e a empresa fica exposta a multa de 1% sobre o valor aduaneiro.
Se você vende, fabrica, importa ou exporta produtos, precisa dominar a NCM. Este guia reúne o que é, como funciona a tabela, como consultar passo a passo, o que acontece quando o código está errado e o que muda em 2026 com a transição da reforma tributária.
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O que é NCM?
A Nomenclatura Comum do Mercosul é o sistema oficial de classificação de mercadorias adotado pelos países do Mercosul desde 1995. Cada produto recebe um código de oito dígitos que descreve, em uma linguagem comum, do que ele é feito, qual a finalidade e em que grau de industrialização se encontra.
A NCM é construída sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH), padrão internacional mantido pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e usado por mais de 190 países. Os seis primeiros dígitos seguem o SH internacional. Os dois últimos são adicionados pelo Mercosul para particularizar mercadorias relevantes para o bloco.
Na prática, em vez de descrever “cadeira de escritório giratória de plástico com rodinhas”, você usa o código 9401.31.00. Essa mesma referência é entendida pela Receita Federal, pela alfândega, pelo importador na Argentina e pelo cliente final na Sefaz. A NCM é, em uma frase, a língua franca dos produtos no comércio nacional e internacional.
NCM SH: qual a diferença?
Você vai encontrar com frequência a expressão NCM SH. Ela apenas reforça que a NCM é uma extensão do Sistema Harmonizado. O SH organiza as mercadorias em capítulos, posições e subposições, e o Mercosul aproveita essa base e acrescenta dois dígitos para o item e o subitem. Por isso, ao consultar o portal da Receita Federal ou o Siscomex, a tabela aparece chamada de NCM SH.
NCM, código NCM e nomenclatura comum do mercosul são a mesma coisa?
Sim. NCM é a sigla. Código NCM é como o mercado costuma chamar cada classificação individual (por exemplo, “o código NCM do café torrado é 0901.21.00”). Nomenclatura Comum do Mercosul é o nome completo. Os três termos se referem ao mesmo sistema.
Para que serve a NCM?
A função imediata é definir tributos, mas a influência da NCM se espalha por toda a operação. Quando o código está correto, a empresa paga o imposto certo, valida nota fiscal, libera importação sem retenção, acessa benefícios fiscais e gera dados estatísticos confiáveis para o governo. Quando está errado, todo esse fluxo trava.
Determinação dos impostos. A NCM é o ponto de partida para calcular IPI, Imposto de Importação (II), Imposto de Exportação (IE), PIS e Cofins (inclusive em regimes monofásicos e na importação) e ICMS, incluindo Substituição Tributária (ICMS ST) e Diferencial de Alíquota (Difal). A partir de 2026, a NCM também passa a indicar a alíquota de CBS e IBS na fase de testes da reforma tributária, e identifica os produtos sujeitos ao Imposto Seletivo.
Emissão de nota fiscal. O campo NCM é obrigatório na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) e na Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e). Sem ele preenchido, a Sefaz simplesmente não autoriza o documento. O mesmo vale para a Declaração Única de Importação (DUIMP) e a Declaração Única de Exportação (DU-E).
Controle aduaneiro. A padronização permite que a alfândega identifique rapidamente o tipo de produto que está entrando ou saindo do país, aplique a tarifa correta e cruze dados com órgãos anuentes como Anvisa, Mapa, Inmetro e Ibama, dependendo da mercadoria.
Estatísticas e defesa comercial. O governo usa os dados de NCM para gerar estatísticas de balança comercial, planejar políticas industriais e instruir processos de defesa comercial, como investigações de dumping e aplicação de salvaguardas.
Acordos internacionais e benefícios fiscais. Muitos incentivos, regimes especiais (Repetro, Recof, Reintegra), tarifas preferenciais em acordos do Mercosul com outros blocos e isenções específicas dependem da NCM correta.
Tabela NCM: como é estruturada
Entender a hierarquia da tabela NCM é o que separa quem chuta um código de quem classifica com segurança. Os oito dígitos formam um funil que vai do mais geral ao mais específico. Veja com o exemplo do café torrado, não descafeinado, NCM 0901.21.00:
| Nível | Dígitos | Exemplo (0901.21.00) | Significado |
|---|---|---|---|
| Capítulo | 2 primeiros | 09 | Café, chá, mate e especiarias |
| Posição | 4 primeiros | 0901 | Café, mesmo torrado ou descafeinado |
| Subposição | 6 primeiros | 0901.21 | Café torrado, não descafeinado (padrão internacional do SH) |
| Item | 7º dígito | 0901.21.0 | Especificação adicional do Mercosul |
| Subitem | 8º dígito | 0901.21.00 | Último nível de detalhamento |
Para chegar até o código final, você precisa conhecer bem o produto: matéria-prima, função, grau de industrialização, se é apresentado a granel ou embalado para venda, se tem componente eletrônico ou mecânico, se é reciclado, orgânico e por aí vai. Pequenas variações mudam o capítulo inteiro. Uma cadeira de plástico não é a mesma coisa que uma cadeira de plástico com estrutura metálica.
Em casos de dúvida, três fontes oficiais resolvem a maioria das classificações: as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e os pareceres de Consulta de Classificação Fiscal já publicados pela Receita Federal.
Onde baixar a tabela NCM atualizada
A tabela NCM completa, com todos os capítulos vigentes, está disponível em duas fontes oficiais:
- Portal Único Siscomex. É a fonte primária e sempre traz a versão mais recente, atualizada pelas resoluções do Gecex. Acesse: portalunico.siscomex.gov.br/classif.
- Tabela TIPI. A Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados é publicada pela Receita Federal e vincula cada NCM à sua alíquota de IPI. É a melhor fonte quando você precisa do código junto com a tributação federal.
A tabela é extensa (mais de 400 páginas em PDF) porque cobre absolutamente todas as mercadorias comercializadas no Mercosul. Por isso vale baixar e usar a busca em vez de tentar ler do início ao fim.
NCM na nota fiscal: o que você precisa saber
Toda mercadoria comercializada no território nacional precisa de NCM na nota fiscal. Isso inclui produtos nacionais e importados, vendidos no varejo ou no atacado, com transporte interestadual ou dentro do mesmo município. Não há exceção por porte de empresa: MEI, Microempresa, EPP e empresas do Lucro Presumido ou Lucro Real seguem a mesma obrigação.
Produtos artesanais e feitos sob encomenda também entram na regra. Se há saída de mercadoria com nota fiscal, há NCM. A classificação leva em conta a matéria-prima principal, a finalidade e o grau de industrialização do item.
Serviços não têm NCM. A classificação de serviços é feita pela Lista de Serviços anexa à Lei Complementar 116/2003, que define o código de serviço usado na NFS-e para cálculo do ISS. Empresas que vendem produto e serviço (instaladoras, oficinas, prestadoras de TI com licenciamento de software) precisam manter os dois universos cadastrados corretamente.
O que aparece na nota fiscal? O código NCM completo, com oito dígitos, em campo específico no XML da NF-e. Ele determina a alíquota de IPI exibida na nota, influencia o cálculo de ICMS ST e, a partir de 2026, vai indicar a alíquota de CBS e IBS aplicável.
Como consultar NCM: passo a passo
A consulta oficial e gratuita pode ser feita em duas fontes principais. O Portal Único Siscomex centraliza as operações de comércio exterior e traz a tabela NCM SH completa. A Tabela TIPI, da Receita Federal, vincula cada NCM à sua alíquota de IPI. Aqui vai o passo a passo que funciona para qualquer produto.
1. Descreva seu produto em detalhe
Antes de abrir qualquer tabela, escreva em uma frase o que é o produto, do que ele é feito, qual a finalidade e qual o grau de industrialização. Quanto mais específica a descrição, mais rápido você chega ao código certo. Anote também o uso (doméstico ou industrial), o público (adulto, infantil) e detalhes técnicos relevantes.
2. Acesse o Portal Único Siscomex
Entre em portalunico.siscomex.gov.br/classif e selecione “Nível 6 Subitem” para visualizar a estrutura completa da NCM. Você pode buscar por palavra-chave, por descrição ou navegar pelos capítulos.
3. Busque por palavra-chave ou navegue por capítulo
Se já tem ideia da categoria (têxtil, máquina, alimento), navegue pelos capítulos. Se não tem, use a busca. Teste sinônimos: “computador” e “máquina automática para processamento de dados” levam ao mesmo capítulo, mas a segunda expressão é a que está na tabela.
4. Leia as notas de seção e de capítulo
Cada capítulo tem notas que explicam o que está incluído e o que está excluído. Pular essa leitura é o erro mais comum em classificação. As notas costumam mandar você para outro capítulo quando o produto tem alguma característica específica.
5. Aplique as Regras Gerais de Interpretação (RGI)
As RGI são seis regras oficiais que devem ser seguidas em ordem. Elas resolvem conflitos quando o produto se encaixaria em mais de uma posição. A RGI 3b, por exemplo, é a que define como classificar kits e conjuntos preparados para venda a retalho.
6. Consulte as Notas Explicativas (NESH)
As NESH são elaboradas pela OMA e não têm força de lei, mas são amplamente aceitas como referência técnica. Elas ajudam a entender o alcance de cada posição e a diferenciar produtos parecidos.
7. Confirme com um especialista
Sempre que houver dúvida, vale uma confirmação com contador ou despachante aduaneiro. O custo de uma consultoria é desprezível diante do custo de uma autuação. Em operações de alto valor ou produtos novos, a Consulta de Classificação Fiscal de Mercadorias junto à Receita Federal (IN RFB 2.057/2021) traz segurança jurídica formal.
Atalho: se sua empresa já tem contador, peça uma revisão da tabela de NCMs cadastrada no ERP. Esse trabalho costuma demorar menos de uma semana e é uma das melhores formas de evitar passivo escondido.
Como saber o NCM de um produto importado
Quando o produto vem do exterior, o fornecedor costuma informar o HS Code, que são os seis primeiros dígitos do Sistema Harmonizado. Aí entram dois cuidados.
Primeiro, esses seis dígitos coincidem com a NCM brasileira, mas o Brasil exige os oito dígitos completos. Você precisa adicionar os dois dígitos do Mercosul, consultando a tabela NCM brasileira.
Segundo, não confie no que veio na fatura. O HS Code informado pelo exportador pode estar desatualizado ou seguir uma nomenclatura local diferente. Sempre faça sua própria conferência usando a tabela oficial brasileira. A responsabilidade pela classificação correta é do importador.
NVE, Tabelas Aduaneiras e outros códigos correlatos
Além da NCM, quem opera comércio exterior convive com a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), criada em 1997 com o Siscomex Importação. A NVE complementa a NCM com duas letras e quatro números, descrevendo características como material, uso e apresentação. Serve para detalhar mercadorias com NCM idêntico, mas atributos diferentes, e ajuda na fiscalização e na geração de estatísticas mais precisas.
As Tabelas Aduaneiras agrupam a NCM e outros códigos necessários nas operações internacionais. O acesso é feito pelo sistema da Receita Federal, com navegação por nível (capítulo, posição, subposição e subitem) e busca por descrição, intervalo ou estrutura.
Riscos de uma classificação NCM incorreta
A NCM errada é um daqueles erros silenciosos: não trava o dia a dia até o dia em que aparece uma fiscalização ou uma carga retida no porto. Aí o custo se materializa de uma vez.
| Tipo de problema | O que sua empresa enfrenta |
|---|---|
| Multa por NCM incorreta | 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, com mínimo de R$ 500 e teto de 10% do valor da DI (IN RFB 680/2006 e art. 711 do Regulamento Aduaneiro). |
| Multa de ofício | Reclassificação com imposto não pago gera multa de 75%, podendo chegar a 150% se houver fraude. |
| Imposto pago a mais | Prejuízo direto no caixa. A recuperação do crédito exige processo administrativo demorado. |
| Retenção de carga | Conferência aduaneira, custo de armazenagem e quebra de prazo com clientes. |
| Perda de benefício fiscal | Isenção, redução de base ou alíquota zero podem deixar de ser aplicadas. Usar benefício indevidamente gera passivo tributário. |
| Bloqueio de certidão negativa | Pendência fiscal impede licitação, financiamento e contratos com grandes empresas. |
Soma-se a isso o impacto operacional dentro da empresa. O ERP usa a NCM para calcular tributos, definir margens, alimentar o SPED Fiscal e gerar relatórios gerenciais. Quando a base está errada, todo o controle financeiro fica comprometido, e decisões de preço e portfólio passam a ser tomadas sobre números torcidos.
Descobri que a NCM da minha nota fiscal está errada. O que fazer?
Erro acontece, e o jeito certo de tratar é agir rápido. O caminho mais comum tem três passos.
Corrija o documento fiscal. Para notas já emitidas, o contador vai orientar entre emitir nota fiscal complementar (de tributo) ou de ajuste. Em alguns estados, e dependendo do caso, é possível usar Carta de Correção Eletrônica (CC-e), mas ela não vale para alterar valores de imposto ou NCM em operações fechadas com produto entregue.
Revise o cadastro inteiro de produtos. Se um item estava errado, é provável que outros também estejam. Faça uma varredura por capítulo no seu ERP, comparando produtos semelhantes, e padronize. É uma boa oportunidade para criar um procedimento de revisão periódica da tabela.
Ajuste a apuração dos tributos do período. Se o erro afetou apuração de ICMS, IPI, PIS ou Cofins, vai ser preciso retificar SPED Fiscal e SPED Contribuições. O contador faz o cálculo do imposto a recolher ou do crédito a compensar e orienta sobre a melhor forma de regularizar, com ou sem denúncia espontânea (que afasta a multa de ofício antes do início de fiscalização).
Boas práticas para acertar a classificação NCM
Quem trabalha bem com NCM segue alguns hábitos simples. Eles não eliminam a necessidade de análise técnica, mas reduzem dramaticamente o erro humano.
Não confie só no fornecedor. Em importação, o HS Code informado pelo exportador pode estar desatualizado ou seguir uma nomenclatura local. Sempre faça sua própria conferência usando a tabela brasileira.
Cuide dos detalhes do produto. Pequenas variações mudam o código. Composição, função, embalagem e até o público-alvo (uso industrial ou doméstico) interferem no resultado.
Mantenha-se atualizado. A tabela NCM muda. Acompanhe o Diário Oficial da União, o Portal Siscomex e comunicados da Receita Federal. Resoluções do Gecex publicadas no DOU costumam ter vigência em 1º de janeiro, abril, julho ou outubro.
Documente suas decisões. Sempre que classificar um produto complexo, registre o critério usado, a RGI aplicada e as fontes consultadas. Isso vale ouro em uma fiscalização.
Cuidado com kits e conjuntos. Pela RGI 3b, o conjunto recebe a NCM do item que confere a característica essencial. Em dúvida, consulte.
Trate o ERP como ferramenta, não como verdade absoluta. Use sistemas que permitam atualização das NCMs, mas mantenha a responsabilidade da informação na sua equipe fiscal.
Capacite o time. Compras, comercial e fiscal precisam falar a mesma língua. Treinamento periódico evita que um produto novo entre no catálogo com classificação chutada.
NCM e comércio exterior
Para quem importa ou exporta, a NCM é literalmente a senha de entrada e saída das mercadorias. Ela determina tarifa, regime, anuências e tratamento administrativo.
Na importação. A NCM define alíquota do Imposto de Importação, IPI, PIS Importação, Cofins Importação e ICMS Importação. Indica se a operação exige Licenciamento de Importação (LI) automático ou não automático, e se há anuência prévia de órgãos como Anvisa (medicamentos, cosméticos, alimentos), Mapa (insumos agrícolas), Inmetro (produtos com certificação compulsória) ou Ibama (substâncias controladas). É campo obrigatório na DUIMP (Declaração Única de Importação) e na antiga DI.
Na exportação. Mesmo com a imunidade tributária garantida para a maioria das exportações brasileiras, a NCM continua obrigatória na DU-E e na NF-e de exportação. Ela é usada para estatísticas oficiais, para verificar enquadramento em regimes especiais (drawback, Reintegra), para acordos de preferência tarifária com Mercosul, México, Egito, Israel, União Europeia e outros, e para emitir certificados de origem quando exigidos.
NCM atualizada: como acompanhar as mudanças
A Tabela NCM evolui constantemente. As atualizações refletem mudanças tecnológicas, surgimento de novos produtos e revisões do Sistema Harmonizado pela OMA.
Quando muda. A OMA revisa o SH em média a cada cinco anos. A revisão mais recente entrou em vigor em 1º de janeiro de 2022 (SH 2022). Os países do Mercosul adaptam a NCM para incorporar essas mudanças e podem promover ajustes regionais específicos, criando ou desmembrando códigos nos últimos dois dígitos. No Brasil, as alterações entram em vigor em datas como 1º de janeiro, 1º de abril, 1º de julho ou 1º de outubro, oficializadas por Resoluções do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Camex, publicadas no Diário Oficial da União.
Como acompanhar. Acompanhe o DOU, consulte o Portal Único Siscomex (que sempre tem a versão mais recente), siga portais de comércio exterior e contabilidade, e mantenha contato próximo com sua assessoria contábil. Ignorar as atualizações da tabela NCM é como usar um mapa antigo para navegar em uma cidade que mudou.
NCM e a Reforma Tributária: o que muda em 2026
A Emenda Constitucional 132/2023 e a Lei Complementar 214/2025 criaram um novo sistema de tributação do consumo no Brasil, baseado em três tributos principais. A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, substitui PIS e Cofins. O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência compartilhada entre estados e municípios, substitui ICMS e ISS. O Imposto Seletivo (IS) incide sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
A transição ocorre entre 2026 e 2032. Em 2026 começam as fases de teste da CBS e do IBS, com alíquotas baixas e convivência com os tributos atuais. Nesse cenário, a NCM ganhou ainda mais importância:
- É o critério oficial para identificar os produtos da cesta básica nacional, com alíquota zero de CBS e IBS.
- Define os bens e serviços que entram em regimes diferenciados, com redução de 60% ou 30% da alíquota padrão (saúde, educação, transporte coletivo, insumos agropecuários, entre outros).
- Indica os produtos sujeitos ao Imposto Seletivo (bebidas alcoólicas, fumígenos, veículos poluentes, embarcações e aeronaves de recreio, bens minerais e bebidas açucaradas, conforme regulamentação específica).
- Continua sendo a base para classificação aduaneira no Imposto de Importação e na DUIMP.
Em outras palavras, o papel da NCM se ampliou. Ela deixou de ser apenas a chave para PIS, Cofins, IPI e ICMS e passou a ser também a chave para acessar regimes diferenciados, alíquota zero e Imposto Seletivo no novo modelo. Quem fizer a transição com cadastro limpo, código revisado e RGI documentada vai entrar em 2026 com vantagem competitiva. Quem chegar com cadastro bagunçado vai pagar duas vezes: na multa do regime antigo e no enquadramento errado do regime novo.
Perguntas frequentes sobre NCM
NCM significa Nomenclatura Comum do Mercosul. É um sistema de classificação de mercadorias, formado por um código de oito dígitos, adotado pelos países do Mercosul desde 1995. Cada produto comercializado recebe um código NCM que identifica suas características e define a tributação aplicável.
Sim, sempre que a nota for de venda de produto ou mercadoria. O campo NCM é obrigatório na NF-e e na NFC-e. Sem o código, a Sefaz não autoriza o documento. Notas fiscais de serviço (NFS-e) não usam NCM.
Não. Serviços usam a Lista de Serviços anexa à Lei Complementar 116/2003, que define o código a ser informado na NFS-e para apuração do ISS.
A consulta gratuita pode ser feita no Portal Único Siscomex (portalunico.siscomex.gov.br/classif) e na Tabela TIPI da Receita Federal. Comece com uma descrição detalhada do produto, navegue pelo capítulo correspondente, leia as notas e aplique as Regras Gerais de Interpretação (RGI). Sempre confirme com a contabilidade antes de cadastrar.
A multa específica por NCM incorreta é de 1% sobre o valor aduaneiro, com mínimo de R$ 500 e teto de 10% do valor total da DI. Se o erro gerar imposto pago a menor, soma-se multa de ofício de 75%, que pode chegar a 150% em caso de fraude.
Emita nota fiscal complementar ou de ajuste, revise o cadastro de produtos no ERP e converse com o contador para ajustar a apuração dos tributos do período. Em valores relevantes, vale formalizar uma Consulta de Classificação Fiscal à Receita Federal.
Sim. Durante toda a transição (2026 a 2032), a NCM segue obrigatória na nota fiscal. Ela é o critério para identificar produtos com alíquota reduzida, alíquota zero e Imposto Seletivo no novo modelo, e permanece como base de classificação aduaneira mesmo após a transição.
A tabela oficial está em portalunico.siscomex.gov.br/classif. A Tabela TIPI fica no site da Receita Federal. Ambas são atualizadas conforme as resoluções do Gecex.
Como fazer a consulta de NCM online de forma rápida e gratuita
A tabela NCM do Governo é enorme e tem mais de 400 páginas porque são muitos os produtos que circulam no Mercosul.
Para ter acesso a essa lista, você pode consultar seu NCM de forma gratuita no site oficial: Consulta NCM da Receita Federal
A NCM é uma daquelas peças de bastidor que só aparecem quando dão errado. Empresa que classifica bem paga o imposto certo, libera a mercadoria sem atrito e ainda colhe o benefício fiscal disponível. Empresa que classifica mal paga duas vezes, perde tempo com retenção e ainda chega na reforma tributária com cadastro pendurado.
Se quer chegar em 2027 com a casa em ordem, comece pela revisão da tabela de NCMs do seu ERP.
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