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Gestão Financeira

Ativos de uma empresa em 2026: o que são, tipos, exemplos e como analisar

Descubra os principais tipos de ativos de uma empresa e como eles impactam o sucesso do seu negócio. Confira mais sobre o tema em nosso novo artigo!

Mulher branca, com cabelo loiro, está vestindo uma camisa social rosa. Ela está sentada de frente para uma mesa de escritório. Sobre a mesa tem várias folhas de papel e uma calculadora. No canto direito da imagem, está o título do artigo: "Ativos de uma empresa: quais são os principais tipos"

Os ativos de uma empresa são tudo o que ela controla e que pode virar dinheiro ou gerar receita: o saldo em conta, o que os clientes ainda devem, os computadores, a marca comprada, a sala reformada. No balanço eles aparecem divididos em ativo circulante (vira dinheiro em até um ano) e ativo não circulante (demora mais), na ordem do que é mais fácil de transformar em caixa, conforme o art. 178 da Lei 6.404/1976. Entender essa lista separa o empresário que pede crédito com argumento do que pede torcendo.

O que é Ativo circulante

Ativo circulante: grupo do balanço que reúne o dinheiro em caixa e em banco, as aplicações de resgate rápido, os valores que a empresa vai receber dentro do exercício seguinte e as despesas já pagas que serão usadas no ano que vem. É a parte do patrimônio que vira caixa em até 12 meses.

O que são os ativos de uma empresa?

Ativo é todo recurso que a empresa controla, que veio de algo que já aconteceu e do qual ela espera benefício futuro. “Controla” não é “é dona”: um equipamento em leasing pode estar no seu ativo sem escritura no seu nome. “Já aconteceu” exclui promessa: o contrato que você assina mês que vem não é ativo hoje. “Benefício futuro” quer dizer que a coisa precisa gerar ou economizar dinheiro.

Numa empresa de serviço isso vira uma lista concreta: saldo da conta corrente, reserva na aplicação, notas emitidas e ainda não pagas, impostos a recuperar, notebooks, cadeiras, a reforma da sala alugada, a licença de software comprada de uma vez e a caução do aluguel.

O que não é ativo esclarece tanto quanto. Ficam de fora o carro no seu CPF, o seu talento e a carteira de clientes que você construiu. Os dois últimos doem, mas a regra é clara: valor gerado internamente não entra, porque não dá para medir com confiança. Só entra marca ou carteira adquirida de terceiros, com preço pago e documentado.

Isso importa porque banco, investidor, comprador de participação e a Receita olham essa lista. O balanço patrimonial é onde ela aparece organizada, e quem o entrega é o seu contador.

Quais são os tipos de ativo no balanço patrimonial?

São dois grupos, e o segundo tem quatro subgrupos. O art. 178, § 1º, da Lei 6.404/1976 manda dispor as contas do ativo em ordem decrescente de liquidez: ativo circulante e ativo não circulante, este formado por realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. O art. 179 diz o que entra em cada um. Um aviso: o antigo “ativo diferido” acabou, porque o inciso V do art. 179 foi revogado pela Lei 11.941/2009.

Grupo do ativoO que entraExemplo em empresa de serviçoPrazoBase legal (Lei 6.404/1976)
Ativo circulanteDisponibilidades, direitos realizáveis no exercício seguinte, despesas antecipadasSaldo em banco, aplicação de resgate imediato, notas a receberAté 12 mesesArt. 179, I
Realizável a longo prazoDireitos realizáveis após o exercício seguinte, valores ligados a sócios e coligadasDepósito judicial, caução de aluguel longoAcima de 12 mesesArt. 179, II
InvestimentosParticipações permanentes em outras sociedadesCota de 20% numa empresa parceira, imóvel para alugarPermanece na empresaArt. 179, III
ImobilizadoBens corpóreos usados na atividadeNotebooks, móveis, benfeitoria na sala alugadaVida útil, com depreciaçãoArt. 179, IV
IntangívelBens incorpóreos, inclusive fundo de comércio adquiridoLicença perpétua de software, marca compradaVida útil, com amortizaçãoArt. 179, VI

Fonte: Lei 6.404/1976, arts. 178 e 179, com a redação das Leis 11.638/2007 e 11.941/2009, consultada em planalto.gov.br, 16/09/2026.

Há uma exceção útil para projeto longo: pelo parágrafo único do art. 179, quando o ciclo operacional dura mais que o exercício social, vale o prazo do ciclo.

Mito ou verdade?

Alegação: “Ativo é só o dinheiro em caixa.”

Veredito: Falso.

Dinheiro em caixa é apenas uma linha do ativo circulante, e numa empresa de serviço costuma ser uma das menores. Na maioria dos escritórios e agências que atendemos, o maior ativo é o que os clientes ainda devem. Tratar ativo como sinônimo de caixa leva a dois erros caros: achar que a empresa quebrou num mês fraco e achar que enriqueceu quando entra um pagamento que já tem destino.

Qual é a diferença entre ativo, passivo e patrimônio líquido?

Ativo é o que a empresa tem, passivo é o que ela deve a terceiros e patrimônio líquido é o que sobra para os sócios, numa conta que sempre fecha: ativo = passivo + patrimônio líquido. Se o ativo é R$ 390 mil e as dívidas somam R$ 230 mil, o patrimônio líquido é R$ 160 mil. Essa é a sua fatia real do negócio, e não o valor que você pagou pelas cotas.

O passivo segue a mesma lógica: circulante vence em até 12 meses (salários, encargos, impostos, fornecedores) e não circulante vence depois. O patrimônio líquido reúne o capital social integralizado, as reservas e os lucros ainda não distribuídos, conforme o art. 178, § 2º.

Três leituras saem daí. Patrimônio líquido negativo significa que a empresa deve mais do que tem, e isso aparece em análise de crédito antes de qualquer conversa sobre faturamento. Lucro acumulado não é dinheiro disponível: pode estar todo preso em recebível. E, quando você distribui lucro, o caixa cai e o patrimônio líquido cai junto. Para ver as duas demonstrações lado a lado, leia o guia sobre a DRE.

Como são os ativos de uma empresa de serviço na prática?

O ativo fica concentrado em recebíveis e equipamentos, com quase nada de estoque. Veja um exemplo hipotético de consultoria com seis pessoas e faturamento de R$ 95 mil por mês.

Ativo circulante: R$ 260.000

  • Caixa e bancos: R$ 62.000
  • Aplicação financeira de resgate imediato: R$ 40.000
  • Clientes a receber (notas emitidas, vencendo em até 60 dias): R$ 148.000
  • Impostos a recuperar: R$ 6.000
  • Despesas antecipadas (seguro e licenças pagas adiantado): R$ 4.000

Ativo não circulante: R$ 130.000

  • Realizável a longo prazo: depósito judicial R$ 18.000 e caução do aluguel R$ 12.000
  • Investimentos: cota de 20% numa empresa parceira, R$ 25.000
  • Imobilizado: notebooks R$ 48.000, móveis R$ 22.000, benfeitorias R$ 30.000, menos depreciação acumulada de R$ 40.000, dando R$ 60.000
  • Intangível: licença perpétua de software, R$ 15.000

Ativo total: R$ 390.000

Três coisas saltam desse balanço. A maior linha não é o banco, são os R$ 148 mil que os clientes devem: mais da metade do circulante está com terceiros, e por isso o fluxo de caixa de empresa de serviço sofre tanto com atraso. O imobilizado já perdeu R$ 40 mil por uso. E a carteira de clientes não aparece, porque foi construída e não comprada.

Se você é advogado, faz software, toca uma agência ou atende numa clínica, o seu balanço se parece com esse mudando os pesos: clínica tem mais imobilizado, software tem mais intangível, advocacia tem recebível mais longo. Veja como a Contajá faz isso em contabilidade para advogados, para tecnologia e para marketing.

O dono de empresa de serviço acha que balanço é papel para o banco ver. Aí olha o extrato, vê R$ 100 mil e acha que pode tirar R$ 100 mil. Entre os nossos clientes com contabilidade completa, em quase 6 de cada 10 fechamentos mensais o que os clientes ainda devem é maior do que o dinheiro em conta. O balanço mostra isso e mostra também que boa parte do que está na conta é imposto e folha do mês seguinte. A conversa muda quando a pessoa entende que o ativo dela mora nos recebíveis, e não na conta corrente.

João Henrique Silva Costa, contador e CEO da Contajá, CRC MG-116388

O que é depreciação e como ela reduz o valor dos seus ativos?

Depreciação é o reconhecimento contábil de que um bem perde valor com o uso e o tempo. Todo mês uma parte do custo vira despesa e o valor do bem no balanço cai na mesma medida. Não sai dinheiro do caixa: é ajuste, não pagamento.

Para fins fiscais, a Receita Federal publica as taxas anuais no Anexo III da Instrução Normativa RFB 1.700/2017. As que mais aparecem em empresa de serviço:

  • Computadores e máquinas de processamento de dados: 5 anos de vida útil, 20% ao ano
  • Veículos automotores de passageiros: 5 anos, 20% ao ano
  • Móveis e utensílios: 10 anos, 10% ao ano
  • Edificações: 25 anos, 4% ao ano

Na conta: um notebook de R$ 8.000 deprecia R$ 1.600 por ano, ou R$ 133,33 por mês, e em cinco anos vale zero no balanço mesmo que ainda funcione. Bens incorpóreos com prazo definido seguem a mesma lógica, com outro nome: amortização.

Existe um segundo ajuste, o teste de recuperabilidade, ou impairment. O art. 183, § 3º, da Lei 6.404/1976 manda analisar periodicamente se os valores do imobilizado e do intangível ainda podem ser recuperados, e registrar a perda quando não podem. O detalhamento está na NBC TG 01 (R4) do CFC, correlata ao CPC 01 (R1). Na prática: uma licença de R$ 40 mil comprada para um serviço extinto precisa sair do ativo.

O que o contador te entrega e como ler os índices de liquidez?

O contador entrega o balanço, a DRE e um resumo com os índices calculados. Ler esses números leva cinco minutos e responde à pergunta mais comum do empresário: a empresa tem fôlego? Usando o balanço acima, com circulante de R$ 260.000 e passivo circulante de R$ 130.000:

ÍndiceFórmulaO que indicaResultado no exemplo
Liquidez correnteAtivo circulante ÷ passivo circulanteQuanto há para cada R$ 1 devido no curto prazo260.000 ÷ 130.000 = 2,00
Liquidez seca(Circulante menos estoques e despesas antecipadas) ÷ passivo circulanteO mesmo, sem o que não vira caixa fácil256.000 ÷ 130.000 = 1,97
Liquidez imediataCaixa, bancos e aplicações imediatas ÷ passivo circulanteQuanto dá para pagar hoje, sem esperar cliente102.000 ÷ 130.000 = 0,78
Capital circulante líquidoCirculante menos passivo circulanteA folga em reais para os próximos mesesR$ 130.000
Giro do ativoReceita líquida do ano ÷ ativo totalQuantas vezes o ativo vira receita no ano1.026.000 ÷ 390.000 = 2,63
Retorno sobre o ativo (ROA)Lucro líquido do ano ÷ ativo totalQuanto de lucro cada real de ativo produziu156.000 ÷ 390.000 = 40%

Fonte: fórmulas de análise de balanço da literatura contábil, aplicadas ao balanço-exemplo deste artigo. Valores hipotéticos: receita líquida anual de R$ 1.026.000 e lucro líquido de R$ 156.000. Elaboração Contajá, 16/09/2026.

Como interpretar. Liquidez corrente acima de 1,00 significa que o curto prazo se paga, e 2,00 é confortável. Liquidez imediata de 0,78 quer dizer que, se todos os credores batessem à porta hoje, faltariam 22%, o que é normal. Dois cuidados: sem estoque, liquidez corrente e seca dão quase o mesmo número; e o ROA de 40% só parece alto perto de uma fábrica, porque serviço usa pouco ativo para gerar muita receita. Compare-se com você mesmo, não com outro setor.

Na Contajá, essa leitura é serviço do contador da sua carteira. O relatório nasce da escrituração contábil mensal e do fechamento contábil do fim do ano.

Minha empresa do Simples ou do Lucro Presumido é obrigada a ter balanço?

Sim, em regra. O art. 1.179 do Código Civil obriga o empresário e a sociedade empresária a seguir um sistema de contabilidade com escrituração uniforme e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Vale para o Simples e para o Lucro Presumido. A dispensa do mesmo artigo alcança o pequeno empresário, onde se enquadra o MEI.

O que confunde é o livro-caixa. O art. 26, § 2º, da Lei Complementar 123/2006 e o art. 63 da Resolução CGSN 140/2018 obrigam a ME e a EPP do Simples a manter o Livro Caixa com toda a movimentação financeira e bancária, e dispensam esse livro para quem mantém Livro Diário e Livro Razão escriturados. O livro-caixa é o mínimo, não a alternativa. O Conselho Federal de Contabilidade afirma, na página sobre escrituração contábil, que ela vale para todas as entidades.

Existe um motivo financeiro maior que o legal: distribuir lucro isento. Sem escrituração contábil, a empresa do Simples só distribui isento de Imposto de Renda o que resulta dos percentuais de presunção do art. 15 da Lei 9.249/1995, 32% para serviço em geral, menos o valor pago no Simples. Com escrituração que evidencie lucro maior, o limite cai, conforme o art. 14, § 2º, da LC 123/2006.

Na consultoria do exemplo, com R$ 1.140.000 de faturamento anual no Anexo III, a conta sem contabilidade parte de R$ 364.800 (32% do faturamento) e desconta só a parte do DAS que corresponde ao IRPJ, cerca de R$ 4.550 nessa faixa. Sobram cerca de R$ 360.250 isentos. Com escrituração mostrando lucro de R$ 500.000, saem os R$ 500.000: cerca de R$ 139.750 a mais por ano distribuídos sem imposto. A contabilidade completa só compensa quando o lucro real passa do valor presumido; se o lucro contábil fosse menor, a conta sem escrituração seria mais vantajosa. No Lucro Presumido a lógica é a mesma. A mecânica está nos guias sobre DAS do Simples Nacional, Lucro Presumido, ECD e empresa precisa de contador.

Nas normas técnicas, quem não é sociedade anônima nem empresa de grande porte segue as versões simplificadas do CFC: a NBC TG 1000 (R1), correlata ao CPC PME (R1) e ao IFRS for SMEs, e, desde 2023, a NBC TG 1001 para pequenas empresas e a NBC TG 1002 para microentidades. Todas mantêm a estrutura da Lei 6.404/1976. Se o seu contador entrega só um resumo sem classificação por grupo, vale trocar de contador.

Em quais decisões o balanço dos seus ativos pesa de verdade?

Em quatro, todas envolvendo dinheiro grande: crédito, distribuição de lucro, compra de equipamento e venda de participação.

Pedir crédito. Banco e fintech pedem balanço e DRE e olham liquidez corrente, patrimônio líquido e a proporção entre dívida e ativo. Com liquidez corrente de 2,00 e patrimônio líquido positivo, a empresa negocia taxa; sem balanço, ela entra na esteira de score, com juros de quem não tem histórico.

Distribuir lucro. É o balanço que autoriza distribuir acima da presunção sem pagar Imposto de Renda, e é ele que impede distribuir o que não existe: lucro preso em recebível não vira retirada sem quebrar o caixa.

Comprar equipamento. Antes de trocar a frota de notebooks, olhe capital circulante líquido e depreciação acumulada. Se a folga é R$ 130 mil e a compra é de R$ 50 mil à vista, a liquidez imediata cai de 0,78 para cerca de 0,39, o que reduz a sua margem de erro num mês ruim. Parcelar preserva o circulante.

Vender participação ou receber sócio. O comprador olha ativo, passivo e patrimônio líquido antes de falar em valuation, e empresa sem balanço recebe proposta menor, porque ele precifica o risco de não saber o que está comprando. Com planejamento tributário e escrituração em dia, a conversa começa em outro patamar. O balanço também é exigido em licitação e em cadastro de fornecedor, junto das obrigações acessórias.

O que muda para os ativos com a Reforma Tributária e a Lei 15.270/2025?

Duas mudanças recentes mexem com ativos: o crédito de IBS e CBS na compra de imobilizado e a tributação de dividendos.

Crédito de IBS e CBS na compra de ativo imobilizado (LC 214/2025). A Lei Complementar 214/2025 criou a CBS federal e o IBS de estados e municípios, que substituem PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS na transição de 2026 a 2033. Pelo art. 47, o contribuinte do regime regular se apropria do crédito dos dois tributos sobre o que adquire para a atividade, desde que o débito da operação tenha sido extinto e a compra esteja em nota fiscal eletrônica. Em bens de capital, isso significa crédito de uma vez na aquisição, e não parcelado em 48 meses como no CIAP do ICMS. Quem está no Simples segue regra própria do regime. Os guias sobre Reforma Tributária e IBS e CBS acompanham as definições.

Dividendos e a exigência prática de contabilidade (Lei 15.270/2025). A Lei 15.270/2025 produz efeitos desde 1º de janeiro de 2026 e criou retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre lucros e dividendos pagos por uma mesma pessoa jurídica a uma mesma pessoa física residente no Brasil quando o total no mês passar de R$ 50 mil, além do imposto mínimo para altas rendas a partir do ano-calendário de 2026. Lucros apurados até 2025 e aprovados para distribuição até 31 de dezembro de 2025 ficam preservados nas condições da lei. O efeito prático: provar de onde vem cada real distribuído virou obrigação, e o balanço é a prova. Veja o artigo sobre a Reforma do Imposto de Renda e o comparativo entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.

Até 2025, muita empresa de serviço vivia com livro-caixa e achava que estava resolvido. Com a retenção sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês e com o crédito de IBS e CBS na compra de equipamento, a contabilidade completa virou decisão de caixa, não de burocracia. Quem tem balanço distribui mais e negocia melhor com banco. Quem não tem descobre isso na hora errada.

João Henrique Silva Costa, contador e CEO da Contajá, CRC MG-116388

O que você precisa lembrar sobre os ativos de uma empresa

Ativo é tudo o que a empresa controla e pode virar dinheiro ou gerar receita, em ordem de liquidez. Os pontos deste guia:

  • Dois grupos: circulante (até 12 meses) e não circulante, com realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível, pelos arts. 178 e 179 da Lei 6.404/1976.
  • Em empresa de serviço, o maior ativo costuma ser o recebível, não o caixa.
  • Depreciação reduz o valor do bem sem tirar dinheiro do caixa. As taxas estão no Anexo III da IN RFB 1.700/2017: 20% ao ano para computadores e veículos, 10% para móveis.
  • Liquidez, giro do ativo e ROA dizem se a empresa tem fôlego e se os ativos rendem.
  • Balanço é obrigatório pelo art. 1.179 do Código Civil, inclusive no Simples e no Lucro Presumido, e permite distribuir lucro isento acima da presunção (art. 14, § 2º, da LC 123/2006).
  • Em 2026, o crédito de IBS e CBS no imobilizado e a retenção sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês tornam a contabilidade completa uma decisão de caixa.

Na Contajá, a escrituração contábil, o balanço, a DRE e a leitura dos índices fazem parte da mensalidade, a partir de R$ 137 no Simples Nacional e a partir de R$ 207,90 no Lucro Presumido, com mais de 20 mil clientes atendidos por contadores com CRC. Quem está começando pode nascer com a casa em ordem desde a abertura da empresa; quem quiser comparar pode ler o guia sobre a melhor contabilidade online.

Leia também: Balanço patrimonial: o que é, como fazer e analisar | DRE: o que é, para que serve e como fazer | Lucro Presumido em 2026: como funciona e quando vale a pena

Perguntas frequentes sobre os ativos de uma empresa

Ativo circulante e capital de giro são a mesma coisa?

Não. Ativo circulante é o grupo do balanço com caixa, aplicações de resgate rápido, recebíveis de até 12 meses e despesas antecipadas. Capital de giro é o dinheiro para tocar a operação enquanto os clientes não pagam, medido pela diferença entre ativo e passivo circulantes. Dá para ter um grande e o outro apertado.

As notas fiscais que emiti e ainda não recebi entram no ativo?

Sim. O valor emitido e não recebido entra no ativo circulante como “clientes a receber”, desde que o serviço já tenha sido prestado. Costuma ser a maior linha do ativo numa empresa de serviço. Recebível que vence depois do exercício seguinte vai para o realizável a longo prazo.

O notebook que comprei no meu CPF pode entrar no ativo da empresa?

Não, enquanto estiver no seu CPF e sem transferência formal. O ativo registra bens da empresa, com nota fiscal no CNPJ e pagamento pela conta dela. Compra no CPF não entra no imobilizado nem gera despesa dedutível. O caminho é comprar com nota no CNPJ ou integralizar o bem ao capital social.

O que acontece com o ativo quando a empresa distribui lucro?

O ativo e o patrimônio líquido diminuem na mesma medida: sai dinheiro do caixa e some a parcela de lucros distribuída. Distribuição alta derruba a liquidez imediata e pode deixar a empresa sem folga para folha e impostos. Por isso a decisão deveria olhar o balanço, e não o saldo bancário do dia.

Carteira de clientes e marca própria entram no ativo da empresa?

Não, quando foram construídas pela própria empresa. A contabilidade só reconhece intangível com custo mensurável de forma confiável, e carteira e marca criadas internamente não têm. Elas entram quando compradas de terceiros. É por isso que empresa de serviço vale, numa negociação, mais do que o patrimônio líquido do balanço.

O que é ativo realizável a longo prazo numa empresa pequena de serviço?

É o direito que só vira dinheiro depois do exercício seguinte: depósito judicial, caução de aluguel longo, parcela de venda de participação a receber em anos futuros e empréstimo a sócios ou a empresas do grupo. A base está no art. 179, II, da Lei 6.404/1976.

Lívia Barroso

COO e contadora responsável técnica da Contajá, contabilidade online para micro e pequenas empresas. Graduada em Ciências Contábeis pela UFV, registrada no CRC MG-116855 e com MBA em Gestão de Pessoas com Ênfase em Liderança Organizacional pela USP/Esalq, lidera as operações da empresa aliando visão estratégica, excelência técnica e foco total na experiência do cliente.