A Reforma Tributária no Simples Nacional colocou na mesa uma decisão que mexe com a competitividade do seu negócio. Até 30 de outubro de 2026, as empresas optantes pelo Simples Nacional, ou que pretendem ser em 2027, precisam escolher como vão recolher os dois novos tributos do consumo, o IBS e a CBS.
Quem não decidir dentro do prazo cairá na opção padrão, que nem sempre é a mais vantajosa.
Principais mudanças da Reforma Tributária no Simples Nacional
Entre as principais mudanças que afetam indiretamente o Simples Nacional, estão:
1. Substituição de tributos:
Com a Reforma Tributária, ICMS e ISS serão substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), enquanto PIS e COFINS darão lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O IPI não é extinto: a partir de 2027 ele tem alíquota zero, exceto para produtos que tenham industrialização incentivada na Zona Franca de Manaus.
Esses dois tributos compõem o IVA Dual, que continuará sendo recolhido dentro do DAS para quem optar por permanecer no Simples Nacional tradicional (Simples Puro), mantendo a sistemática simplificada sem alteração nas alíquotas do regime.
A Contajá já está preparada para orientar seus clientes nessa transição, garantindo segurança técnica e atualização contínua sobre cada etapa da mudança.
2. Créditos Tributários:
No modelo atual, empresas do Simples Nacional transferem apenas créditos de ICMS em operações específicas de comércio e indústria.
Com a Reforma Tributária, essa lógica se amplia: empresas de comércio e de serviços optantes pelo Simples passarão a gerar créditos de IBS e CBS para todos os seus clientes pessoas jurídicas (Lucro Real e Lucro Presumido), independentemente de a compra ser para revenda, insumo ou uso na atividade.
Esses créditos, no entanto, serão proporcionais ao valor efetivamente recolhido no DAS (conforme a faixa de faturamento da empresa nos Anexos da lei). Como o cliente PJ receberá um crédito menor do que o da alíquota regular, o Simples tradicional pode perder competitividade em vendas B2B para grandes empresas que necessitam de crédito integral.
Vale lembrar que, no modelo tradicional do DAS, a empresa do Simples não utiliza créditos de suas compras para abater o tributo próprio — o que só é possível na modalidade do Simples Híbrido.
A Contajá tem acompanhado de perto essa evolução para garantir que cada empresa compreenda como os créditos impactam a precificação, a competitividade e a estrutura tributária do negócio.
3. Perda de competitividade
Empresas B2B do Simples Nacional podem enfrentar desafios competitivos após a Reforma, especialmente porque seus clientes do Lucro Presumido e Lucro Real receberão menos créditos de IBS e CBS quando comprarem de empresas que recolhem pelo DAS, em comparação a compras de empresas no regime normal. Assim, negócios do Simples podem precisar:
- renegociar preços;
- analisar margens;
- simular cenários híbridos;
- revisar estratégias comerciais.
A Contajá tem apoiado empresários justamente neste ponto: entender o impacto real nas margens e definir o melhor posicionamento tributário para minimizar a perda de competitividade.
4. Simples Nacional Híbrido:
A Reforma cria a possibilidade do Simples Nacional Híbrido, no qual a empresa recolhe IBS e CBS fora do DAS, pelas alíquotas padrão do IVA. Isso aumenta a carga tributária própria, mas permite:
- concessão integral de créditos para clientes PJ;
- possibilidade de recuperação de créditos para a própria empresa.
A opção tem caráter semestral. A primeira janela vai de 1º de setembro a 30 de outubro de 2026, com vigência para o primeiro semestre de 2027 (janeiro a junho), conforme o art. 41, § 3º, da LC 214/2025 e a Resolução CGSN 186/2026, alterada pela Resolução CGSN 194/2026.
A recomendação para negócios B2C ou que atendem principalmente pessoas físicas é que não devem optar pelo sistema híbrido, já que seu público não aproveita créditos de impostos e, portanto, não há ganho competitivo.
A Contajá está estruturando simulações específicas para cada segmento, ajudando clientes a decidirem quando (e se) vale a pena migrar.
5. Novas definições e requisitos:
A Lei Complementar nº 214/2025 alterou pontos importantes da Lei Complementar nº 123/2006. O conceito de Receita Bruta no Simples foi formalmente ajustado no art. 3º, § 1º e § 1º-A, para abranger expressamente todas as operações com bens e serviços ligados à atividade da empresa.
Na prática, isso exige atenção redobrada no cômputo do faturamento para não estourar o limite de R$ 4,8 milhões e ser excluído do regime.
Além disso, as regras de enquadramento foram enrijecidas: a vedação para empresas cujo sócio ou titular seja também administrador de outra pessoa jurídica com fins lucrativos (quando a receita bruta global ultrapassar R$ 4,8 milhões) foi ampliada para alcançar expressamente os sócios e titulares de fato ou de direito (art. 3º, § 4º, V). Medida que busca coibir a fragmentação de negócios por meio de interpostas pessoas (“laranjas”).
6. Terá aplicação de multa?
Sim, o prazo para a contagem de multas por atraso ou omissão na entrega das declarações de apuração (art. 38-A, § 1º da LC 123/2006) agora passa a contar imediatamente no dia seguinte ao término do prazo original, aumentando o rigor da fiscalização e exigindo cumprimento rigoroso do compliance fiscal.
Como se vê, a essência do Simples Nacional continua intacta, permanecendo como um regime unificado e favorecido para os pequenos negócios. Mas a dinâmica dos impostos sobre o consumo mudará e novas regras de enquadramento e compliance entram em cena.
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Falar com a Contajá!Simples Nacional Tradicional
No Simples Nacional tradicional, a empresa recolhe o IBS e a CBS dentro do DAS, junto com IRPJ, CSLL, CPP e os demais tributos, tudo numa guia mensal. É o caminho mais simples na rotina e o que menos exige mudança no dia a dia. Em contrapartida, a empresa transfere créditos de IBS e CBS para o cliente pessoa jurídica limitados à proporção do que foi recolhido no DAS.
Na prática, é um crédito menor, que pode pesar na competitividade quando você vende para outras empresas.
Simples Nacional Híbrido
A empresa continua pagando o IRPJ, CSLL e CPP de forma unificada no DAS, mas recolhe o IBS e a CBS separadamente, com apuração mensal própria e seguindo o princípio da não cumulatividade.
Essa opção exige rotina contábil mais robusta, sistema de emissão compatível e atenção redobrada ao calendário fiscal, mas permite gerar crédito integral para o cliente PJ, aumentando a competitividade da empresa no mercado.
Atenção: o prazo foi prorrogado. A opção pelo regime híbrido pode ser solicitada até 30 de outubro de 2026, com efeitos de janeiro a junho de 2027, e cancelada de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026.
Por que o Simples Nacional híbrido pode ser mais vantajoso?
Quando uma empresa do Simples Nacional tradicional vende para uma empresa maior, ela transfere pouco crédito, e isso pode fazer o comprador preferir um fornecedor que gere mais crédito para abater os próprios impostos.
O Simples híbrido resolve esse risco. Ao recolher o IBS e a CBS por fora, sua empresa gera o mesmo crédito que uma empresa grande geraria, e se mantém competitiva no mercado entre empresas. Por isso o híbrido costuma fazer sentido para quem tem cliente pessoa jurídica relevante no faturamento.
Comparação entre Simples Tradicional e Híbrido
| Critério | Simples puro | Simples híbrido |
|---|---|---|
| Apuração de IBS e CBS | Dentro do DAS, guia única | Por fora, apuração mensal própria |
| Crédito para o cliente PJ | Limitado ao valor recolhido no DAS | Integral |
| Público que mais se beneficia | Cliente final (B2C) e PJ no Simples puro | Cliente PJ no regime regular (B2B) |
| Complexidade na rotina | Baixa | Média a alta |
| Vigência da opção | Semestral (pode migrar para o híbrido em março para o 2º semestre) | Semestral (vigora de jan/jun; janela em março para o 2º semestre) |
| Perfil indicado | Faturamento menor, custo enxuto, pouco cliente PJ | Cliente PJ relevante, custo PJ creditável alto, contabilidade estruturada |
Para quem o Simples Nacional Híbrido vale a pena?
A resposta depende quase inteiramente de uma pergunta: quem compra de você aproveita crédito?
- Vende para outras empresas (B2B):
Quando o fornecedor do Simples Nacional mantém IBS e CBS dentro do DAS, o cliente PJ tem direito a crédito, mas em montante equivalente ao cobrado por meio do regime único, conforme o art. 23, § 1º-A, da LC 123/2006. A alíquota do crédito é informada na nota e corresponde aos percentuais dos Anexos I a V para a faixa de receita do fornecedor.
Quando o fornecedor opta pelo híbrido, ele apura pelo regime regular e transfere ao adquirente o crédito sobre todo o IBS e CBS incidentes na operação.
A consequência competitiva é direta: se o seu cliente ganha crédito maior comprando de um concorrente que está fora do Simples, o seu preço líquido efetivo fica mais caro mesmo com o preço nominal igual. Indústrias, atacadistas e prestadores com carteira majoritariamente PJ no Lucro Real ou Presumido são o perfil clássico.
Também tende a ganhar quem tem volume relevante de insumos creditáveis, porque acumula crédito nas entradas e reduz o valor efetivo a recolher.
- Vende para consumidor final (B2C):
Aqui a opção quase nunca compensa. O consumidor final não usa crédito, então o benefício competitivo simplesmente não existe. Padarias, academias, clínicas que atendem pessoa física, comércio de bairro e prestadores de serviço ao consumidor ganham complexidade e custo sem contrapartida.
- Vende para outras empresas do Simples:
Não há ganho. Se fornecedor e adquirente estão ambos no Simples com IBS e CBS dentro do DAS, não há crédito relevante para nenhum dos dois lados.
- Empresa com folha alta:
O híbrido não muda nada nesse ponto. A CPP continua no DAS. A vantagem do Simples para quem tem folha pesada permanece intacta, e não é ela que está em jogo nessa decisão.
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Fale com a Contajá!Qual o prazo para optar pelo Simples Nacional Híbrido?
De 1º de setembro a 30 de outubro de 2026, no Portal do Simples Nacional, com efeito a partir de 1º de janeiro de 2027. Com a Resolução CGSN 194/2026, essa janela ficou diferente da janela de opção pelo próprio Simples Nacional, que vai até 15 de outubro. Três detalhes que costumam passar batido:
- A opção vale para o período de janeiro a junho de 2027: O art. 2º da Resolução CGSN 186/2026 é expresso quanto a esse recorte semestral. Para o segundo semestre (julho a dezembro), a Resolução CGSN nº 190/2026 (Art. 40-D) já estabeleceu a janela de opção/renúncia entre 1º e 31 de março de 2027.
- Dá para cancelar de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026: Esse período de cancelamento foi fixado pela Resolução CGSN 194/2026. Depois disso, a escolha é irretratável.
- O MEI está fora: A opção pelo SIMEI continua em janeiro, conforme o art. 4º da Resolução. Nada do que está neste artigo se aplica a microempreendedor individual.
E se eu não fizer nada até o fim do prazo?
A empresa permanece no Simples Nacional no formato tradicional, com IBS e CBS dentro da guia única a partir de 2027. Não fazer nada é uma escolha válida, e para a maioria das empresas B2C é a escolha certa.
O cuidado é outro: a permanência no Simples para 2027 exige que a empresa esteja sem pendências. Débito em aberto pode gerar indeferimento e, aí sim, exclusão do regime para 2027. Se houver termo de indeferimento, o prazo para regularizar agora é uma data fixa, 30 de outubro de 2026. Regularizando, o termo é cancelado e a opção é deferida.
Simulação para prestador de serviços
As simulações abaixo são ilustrativas e não substituem a análise individual com o seu contador. O peso do crédito muda conforme o tipo de serviço, o regime do cliente e a estrutura de custo do prestador.
Perfil 1: consultoria com muito cliente PJ
Imagine uma consultoria no Anexo III, com faturamento de R$ 50 mil por mês, sendo 70% com cliente pessoa jurídica e 30% com pessoa física. O custo pago em nota PJ que gera crédito de IBS e CBS é de R$ 12 mil por mês (software, ferramentas, freelancer PJ, energia comercial, aluguel).
No Simples puro, o cliente PJ aproveita crédito apenas na proporção do que foi recolhido no DAS, então o custo efetivo do serviço para ele fica perto do valor cheio da nota. No Simples híbrido, a empresa recolhe IBS e CBS pelo regime regular e ainda deduz o crédito sobre os R$ 12 mil de insumos. O destaque na nota gera crédito integral para o cliente PJ, que recupera esse valor na apuração dele. Para o cliente, o custo do serviço cai. Para a prestadora, o efeito na margem depende do equilíbrio entre a alíquota dos tributos e o crédito dos insumos.
Nesse perfil, com 70% de cliente PJ e custo PJ relevante, o híbrido tende a ser mais competitivo, porque permite oferecer crédito sem destruir a margem.
Perfil 2: profissional com cliente majoritariamente pessoa física
Agora pense em um psicólogo ou advogado que atende, na maior parte, pessoa física, com 80% do faturamento vindo de PF e custo PJ creditável baixo. Aqui o crédito gerado para o cliente quase não tem valor, porque pessoa física não aproveita crédito. Nesse caso, o Simples puro tende a ser a melhor escolha, pela simplicidade e pelo custo operacional menor.
A regra prática que sai daí: quanto mais cliente PJ no regime regular e quanto maior o seu custo PJ creditável, mais o híbrido se paga. Quanto mais cliente pessoa física e custo enxuto, mais o puro vale a pena.
Prazos que você não pode perder
A linha do tempo é curta. Depois do prazo de irretratabilidade não há margem para mudança.
- Até 15 de outubro de 2026: opção pelo Simples Nacional 2027.
- Até 30 de outubro de 2026: escolha entre Simples puro e híbrido (regime regular de IBS e CBS) e regularização de pendências.
- De 03 de novembro até 20 de dezembro de 2026: data limite para cancelar a opção. Depois disso, a escolha fica irretratável para 2027.
- 1º de janeiro de 2027: passam a valer o regime escolhido e os novos tributos IBS e CBS.
- Janeiro a junho de 2027: período de vigência da opção pelo regime regular (híbrido). Para o segundo semestre (julho a dezembro de 2027), a Resolução CGSN nº 190/2026 (Art. 40-D) fixou a janela de opção entre 1º e 31 de março de 2027
- Empresas em início de atividade no fim de 2026: fazem a opção no momento da abertura, dentro do prazo previsto na regulamentação.
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Fale com a Contajá!Como decidir na prática em 5 passos
- Levante o seu mix de clientes: Separe o faturamento dos últimos 12 meses entre cliente PJ no regime regular, cliente PJ no Simples puro (que não recupera crédito) e pessoa física. O peso de cada bloco aponta o caminho.
- Some o seu custo PJ creditável: Junte tudo que você paga em nota PJ regular (software, ferramentas, energia comercial, aluguel, freelancer PJ, terceiros PJ). Essa base vira crédito de IBS e CBS no regime regular.
- Simule com o seu contador: A simulação ideal compara os dois caminhos com o seu mix de clientes, o seu custo PJ e o seu enquadramento. O resultado mostra a carga líquida em cada cenário.
- Avalie o impacto operacional: O Simples puro exige quase nenhuma adaptação. O híbrido exige sistema atualizado, contador com rotina mais elaborada e atenção ao calendário fiscal.
- Decida com antecedência: Tomar a decisão em agosto, com a simulação na mão, é muito melhor do que decidir no dia 29 de outubro no susto.
Como a Contajá pode ajudar:
A Contajá tem mais de 20 mil clientes ativos e está acompanhando a decisão do Simples Nacional 2027 caso a caso, com simulação tributária por perfil e indicação fundamentada da melhor modalidade.
A Reforma Tributária não acontece de uma vez, ela tem um cronograma de transição, e contar com uma contabilidade consultiva significa ter um parceiro revisando o seu enquadramento todo ano. O que é vantajoso hoje pode não ser amanhã, e essa agilidade é o que protege o seu lucro. Se você quer chegar em 2027 com a decisão certa para o seu negócio, faça agora o seu diagnóstico tributário gratuito conosco!
Perguntas Frequentes sobre A Reforma Tributária no Simples Nacional
É a opção do contribuinte do Simples Nacional por apurar e recolher o IBS e a CBS fora do DAS, pelas regras do regime regular, prevista no art. 41, § 3º, da LC 214/2025. A empresa continua no Simples para os demais tributos. IRPJ, CSLL, CPP e IPI seguem na guia única, e só as parcelas de IBS e CBS saem.
Não, o Simples Nacional continua em vigor, sendo o regime tributário simplificado e destinado às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. A própria legislação da Reforma deixa claro a intenção de manter o Simples Nacional, reconhecendo sua importância econômica.
A Reforma Tributária não foi desenvolvida para aumentar os impostos das empresas. Mas, é possível que algumas decisões acabem aumentando impostos e impactando na competitividade do negócio. Por isso, é necessário realizar uma análise personalizada para que a empresa garanta economia e vantagens no mercado.
Sim, de 3 de novembro a 20 de dezembro de 2026. Depois dessa data a opção é irretratável.
Não, a empresa continua optante pelo Simples Nacional. O que muda é que as parcelas de IBS e CBS deixam de ser pagas dentro do DAS e passam a ser apuradas pelo regime regular. IRPJ, CSLL e o INSS patronal continuam na guia única.





